quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

1ª CCAÇ - Outra Coluna

(Clique nas fotos para aumentar)
 
 
Mais uma viagem, mais uma aventura. Por estes caminhos se faziam passar as viaturas em coluna saídas de Mocímboa da Praia para os aquartelamentos das outras companhias do BCAÇ 4213, num equilíbrio constante a velocidades de 10/20 Kms hora. Como facilmente se pode perceber era impossível não ser detectada pelos guerrilheiros da Frelimo. Daí o perigo constante de bombardeamentos, emboscadas e minas.
 

Não, não era nenhuma portagem nem pórtico de SCUT. Embora pareça impossível, era uma ponte improvisada por onde tiveram de passar todas as camionetas carregadas de víveres, medicamentos, munições, tudo o que as companhias precisavam para continuar a operar. Acrescente-se ainda ao peso das viaturas, sacos e bidões cheios de areia para protecção do motorista e equipa de segurança.

Elementos do 1º e 3º Grupos de Combate a preparar a passagem das viaturas da coluna por mais uma ponte.
 
(Fotografias cedidas por Aurélio Antão)

sábado, 26 de janeiro de 2013

BCAÇ 4213 - Sabores de Moçambique


 


Erguei-vos garbosos resistentes das matas de Cabo Delgado.
Segurai-vos eternos valentes que nem as águas do Rio Sinheu, do Tejo e do Douro vos foram capazes de saciar a inesgotável sede.
Levantai os olhos já piscos para um murmúrio de espanto e inveja e dizei comigo a uma só voz:
- Ahhhhhh, Manica!
 
Pois as miragens existem mas nem tudo parece o que realmente é. Mas esta é mesmo: Manica. Acabadinha de chegar de Moçambique acompanhada de amendoim torrado na chapa, com o tal sabor africano. O autêntico.
 
Ainda se lembram (fechem os olhos) de chegar de dias e dias a palmilhar o mato, sem água nem rações de combate, apenas com uma réstia de esperança a arrastar o corpo?
Ainda se lembram (tornem a fechar os olhos) de se sentarem no varandim do "China", de camisa aberta, a deixar escorrer umas fresquinhas na tentativa de apagar o fogo e afogar todas as incertezas?
Ou era para aliviar as dores nas costas, nas pernas, nos braços e na cintura maltratada pelo cinturão carregado de munições?
 
Remédio santo! Melhor que o celebre comprimido LM (Laboratório Militar) que nos era receitado para tudo, desde a dor-de-corno, a micoses, paludismo, ansiedade, dor-de-fome e outras coisas mais abaixo. Melhor que a famosa Banha da Cobra vendida nas feiras do tempo dos nossos pais.
 
2M, Laurentina, Manica, faziam milagres. Quem não se lembra?
 
Á nossa saúde vai uma Manica. Directamente de Maputo vestida de prenda de Natal e com um grande agradecimento em nome da Mafalda.
Bem hajam.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

2ª CCAÇ - Antadora - Manuel Marques

(Clicar nas fotos para aumentar)
 
Da Suiça, onde está já há 25 anos, recebemos fotos e mensagem do nosso camarada, na altura radiotelegrafista, que pertenceu á 2ª CCAÇ estacionada em Antadora. Aqui num momento de descanso onde o sol mais queimava e a água temperava os corpos.
 
Numa saída do aquartelamento com outros camaradas.

No posto de rádio decorado "à maneira" e conforme a moda estabelecida sem faltar o fatídico "petromax", companheiro das noites calmas.

O Manuel Marques junto a um dos abrigo existentes em Antadora.
 
A todos os camaradas da 2ª CCAÇ envia um abraço e pedido de contacto.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

1ª CCAÇ - 3º Grupo de Combate (GC)


Elementos do 3º GC no aquartelamento de Mocímboa da Praia antes de mais uma saída para o mato. Ao centro, em baixo com um joelho no chão, o Fur. Mil. Antão.
 
Embora não esteja nesta foto mas sendo também importante componente, o Fur. Mil. Arménio Pereira dizia em email que nos dirigiu em Outubro de 2012 a respeito do Grupo:
" ...Sei que de alguns guardo com prazer ainda momentos de camaradagem em situações mais descomprimidas e que aqueles miúdos eram uns homens do caraças. Espero que tenham sido felizes e procriado gente boa. Lembro-me que sempre os respeitei e que sempre me respeitaram em todos os momentos e que foi um prazer poder dizer que fomos todos e viemos todos inteiros e capazes." 

Ponte do Rio Sinheu:
alguns elementos do 3º GC em cima do abrigo, junto ao posto de vigilância.
Em pé, da esquerda para a direita (3º e 4º respectivamente) os Furs. Mils. Arménio Pereira e Aurélio Antão.

Se o comer não abundava e o dinheiro nem tudo compra, pelo menos que fique a foto junto a um belo cacho de bananas. O Fur. Mil. Antão (á direita) parece pensar: "este já ninguém nos tira!"

Uma equipa do 3º GC em escadinnha num dos postos de vigilância do aquartelamento em Mocímboa da Praia.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

1ª CCAÇ - Mensagem do Fur. Mil. Arménio Pereira



Olá a todos os malucos da guerra de Mocímboa da Praia.

Hoje dei com este blog por acaso e fiquei comovido! Sobretudo porque estava mais magro!!!

Nunca fui um grande admirador destas situações mas com a idade a gente vai-se lembrando das coisas aonde andou metido, das pessoas e espaços.
Não sei quem faz o blog mas parabéns. Chamei a minha família para verem as fotos e mostrei-lhes um pouco dessas situações.

Pois eu sou o Arménio Pereira. Agora retirei-me para a província, saí de Lisboa e estou em Trás-os-Montes por uns tempos devido a problemas de velhice com os pais da minha mulher.

Quero mandar um abraço a todos os que receberem esta mensagem e pedir-lhes que ponham umas fotos minhas no blog.

E também aos elementos do meu grupo que digam qualquer coisa de preferência com fotografia porque por nomes já não vou lá e só com foto a ver se reconheço algum.

Um abraço para todos.

Arménio Pereira
12 de Outubro de 2012


Nota do Editor:
Devido a problemas técnicos já aqui referidos, só agora nos é possível editar esta mensagem do Arménio Pereira.
Pelo facto, apresentamos-lhe as nossas desculpas tentando de futuro corrigir rapidamente semelhantes percalços.

BCAÇ 4213 - Blogue

 
Devido a um pequeno problema técnico este blogue esteve temporariamente sem acréscimo de notícias o que, pensamos, vamos muito brevemente recuperar. Alheios ao sucedido, continuamos a aguardar os vossos contactos, notícias e fotos para  serem publicados.
 
De todos esperamos ânimo e coragem para enfrentar e contrariar um novo ano que nos "prometem" não ser o melhor. Habituados ás adversidades e com o espírito e a força que ainda nos caracteriza, desejamos a todos um BOM ANO de 2013.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

BCAÇ4213 - Ordem de Serviço nº 264




Gostavas de ter menos 38 anos e entrar de serviço amanhã? Eis aqui um pouco da nossa história diária no aquartelamento de Mocímboa da Praia, pelo menos, depois de Outubro de 1974. Estava-se então na época dos louvores. Por onde andarão hoje o Alf. Mil. Joaquim Oliveira e o Sold. TRMS. Ulisses Rodrigues? E o José Casaca? E o Francisco Amor? E tantos outros que gostaríamos de encontrar? Aguardamos que respondam á chamada.
 
(Doc. cedido por Mineiro)

sábado, 10 de novembro de 2012

1ª CCAÇ - Abrigo do Rio Sinheu - Sobrevivência


1º Grupo de Combate - 1ª CCAÇ
 
 
 Abílio Gonçalves em acção de vigilância em cima do abrigo da ponte do Rio Sinheu. Por detrás, o posto de vigilância construído com bidões e sacos cheios de areia.
 
 
A Lavandaria Ideal. O Rio Sinheu que nos fornecia a água para beber, cozinhar (quando havia o quê) e, como o Abílio Gonçalves e o Antonio Castro demonstram, a oportunidade de tomar banho e lavar a roupa.

 
Um dia o abrigo veio abaixo. No início de uma noite chuvosa (na chamada hora Maconde), depois de mais um ataque da Frelimo, o abrigo da ponte do Rio Sinheu não resistiu a tanta água e várias morteiradas. Caiu-nos em cima deixando uma perna partida, escoriações mais e menos graves em vários militares, danificando o rádio, a bolsa de enfermagem, cantis, carregadores, armas, camas e, principalmente, ferindo o moral de quem lá estava dentro que, como era natural, a maior parte do Grupo. Destes militares, três ainda foram capazes de responder ao pedido de voluntáriado feito pelo Furriel Lourenço para atravessarem com ele a noite, as linhas da Frelimo e percorrer em passo acelarado, a distância até ao aquartelamento de Mocímboa da Praia procurando socorro.
Na foto, tirada no dia seguinte, quatro sapadores de uma outra Companhia que vieram tentar a reconstrução do abrigo e, sentados, o Gonçalves e o Castro.
 
 
Se o rio nos dava de beber, não dava de comer. Mas servia de chamariz. Por isso, sempre que a oportunidade aparecia, a caça era a solução para deixar as rações de combate, se ainda existissem.
O Gonçalves em cima de um troféu ou, melhor dizendo, em cima do nosso sustento: uma Palanca negra ou Pala-pala, animal pouco comum em Moçambique. Entre outros, passando por detrás, o cabo Aguiar.

 
Embora sem curso de talhante, o Gonçalves fez o melhor que sabia com a faca-de-mato na mão. Impacientes, estavam todos os outro até um companheiro de ocasião: o cão.
 
(Imagens cedidas por Abílio Gonçalves)
 
 
  Palanca negra (Hippotragus niger) também conhecida por Pala-pala.
 
 
 

sábado, 3 de novembro de 2012

1ª CCAÇ - Amizades II


Num momento de descanso em Mocímboa da Praia, da esq para a dtª, Mineiro, Agostinho, Sousa, Castro, ?, Vitor Coelho e Cunha. 

Outra frente de ataque, possivelmente, no "China": Mineiro, Pinheiro,Cunha e Almeida.
 
(Fotos cedidas por V.F.Mineiro)
 
 

sábado, 13 de outubro de 2012

BCAC4213 - 1ª CCAÇ - A banhos


O Lourenço e o Arménio Pereira em Mocímboa no local que dava nome á vila: a praia.

Fotografia digna das Olímpiadas de Mocímboa da Praia: (dtª para a esquerda) Lourenço, Tony, José Barros e Arménio Pereira.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Garoupa pescada em Mocimboa da Praia



Para quem já não se lembrava do tamanho de certas garoupas e raias apanhadas pelos pescadores de Mocimboa e que viamos na areia da praia, aqui fica mais um belo exemplar capturado há pouco tempo naquelas águas do oceano Índico.
 
 

sábado, 6 de outubro de 2012

BCAÇ 4213 - 3ª CCAÇ - Hora do rancho em Diaca



Quando o cozinheiro toca no ferrancho toda a gente se põe em bicha.
 
(Fotografia cedida por Eugénio Vasconcelos)
 
 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

BCAÇ 4213 - Mocímboa da Praia século XXI


Algumas fotos que recolhi da jovem e simpática Ana Elisa, missionária brasileira que esteve em Mocímboa da Praia durante 2 anos e com quem me correspondi. Penso que estas fotos são de 2009/2010. Para aqueles que anseiam por notícias desta terra, que de certo modo reflete alguma disposição até no sentido de entreajuda, aqui fica um pequeno nada.
 









 

 
 
Para quando um contacto de alguém que viva actualmente em Mocímboa da Praia?
 
(fotos de Ana Elisa - http://anamissionaria.blogspot.pt )

domingo, 23 de setembro de 2012

BCAÇ 4213 - 1ª CCAÇ - Festa é festa


Se conhaque era conhaque, festa era festa.
Poucas vezes conseguimos estar todos juntos derivado ao sistema de rotação de, pelo menos, três Grupos de Combate no mato. No entanto, por vezes e por horas, encontravam-se dois grupos operacionais no aquartelamento de Mocímboa da Praia. Com a boa assistência dos "não operacionais", peças fundamentais para que tudo fosse correndo bem no mato, no companheirismo e na amizade, rebentava a "festa" para comemorar uns anos, um nascimento de filho ou, pura e simplesmente, comemorar o facto de estarmos vivos e entre amigos.
 
Na foto, Fur. Mils. Carlos Ferreira, José Barros, Fernando Serafim, José António Pereira (Tony), José Guerreiro, José Alberto Amorim, José Amaro Vilas entre outros.

José Barros num golpe de tesoura ajudado pelo Tony. Ao fundo, Guerreiro, Rui Lindo e Vilas.

Não sei se o Vilas e o Serafim estariam a jogar xadrez mas que o Ferreira, o Barros e todos os outros ajudaram na disputa, não restam dúvidas.

Dia de festa, comemora-se!

O Tony na fase de maestro da orquestra agora em surdina. O Ferreira ambienta o conjunto com instrumento de sopro.
 

Fim de festa. Que pena, logo já é outro dia, parecem pensar o Guerreiro, o Tony e o Barros.

(fotos cedidas por José Barros)
 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

BCAÇ 4213 - 1ª CCAÇ - O Búfalo do 2º GC




      2º Grupo de Combate em acção de patrulhamento há alguns dias. Como diziam as normas de segurança, a pernoita era em círculo, não muito perto de árvores, mantendo a rotatividade na vigilância. No centro do círculo o homem das transmissões, o enfermeiro e os graduados, neste caso, os Furriéis José António Pereira (Tony) e José Amaro Vilas.
      O sol nascera há pouco e o Grupo preparava-se para saborear, pelo segundo ou terceiro dia, o leite condensado dissolvido em água com as bolachas de água e sal (6 em cada dia) ou, para os mais esfomeados (todos!), uma lata de porco com feijão ou mão de vaca com grão (50 a 70 gramas cada lata). Iguarias que faziam parte da ração de combate "Tipo E" distribuída.
 
      De repente gerou-se o reboliço. Um enorme búfalo (animal com perto de 900 kg) saía da mata em correria desenfreada direito ao círculo. O soldado africano Camisa, de vigia nesse lado, não teve alternativa e improvisou uma pega de caras que lhe valeu 4 ou 5 costelas partidas.
      Levados pela surpresa e numa reacção rápida, os soldados dispararam para o búfalo que já estava no centro do círculo esquecendo-se de que, do outro lado, estavam outros camaradas. O resultado saldou-se em mochilas e cantis furados e um tiro numa coronha de G3.
      O Furriel Vilas ainda estremunhado, negou-se a ser o segundo forcado da fila a pegar a besta e desatou em correria, alongando as pernas e os braços para a árvore mais próxima, cada vez mais longe. Não aguentando a corrida matinal sem aquecimento, tropeçou e foi atropelado o que lhe valeu uns arranhões e umas nódoas negras nas costas.
      Em perseguição feroz, os soldados do Grupo continuavam a disparar para o animal que se ia aguentando até ser atingido num joelho, fazendo-o cair e ser fuzilado ali mesmo sem dó nem piedade.
 
Transportado para o aquartelamento de Mocímboa da Praia foi esquartejado, a muito custo, sob as ordens do Capitão Ulisses com vasta assistência faminta.
      No corpo já trazia 3 ou 4 tiros de Kalashnikov o que nos fez duvidar se teria sido o 2º Grupo de Combate da 1ªCCAÇ o merecedor do prémio da melhor pega em mata moçambicana.
      Uma coisa é certa. A dureza da carne era tal que mesmo esfomeados como andávamos, ninguém lhe conseguiu ferrar o dente. Saboreámos-lhe o cheiro em forma de bife.
 
(foto cedida pelo Celestino)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

BCAÇ 4213 - Transmissões e afins


Nem sempre era fácil acompanhar os Grupos operacionais da 1ª CCAÇ no seu dia-a-dia. No entanto este conjunto de "prestadores de serviços" tornavam-se também eles operacionais sempre que tinham de dar assistência ou sair com os Grupos de Combate. A eles se ficou a dever a boa conclusão de algumas horas mais difíceis.

E sempre com boa disposição. Entre eles, o Nogueira, o Celestino e o Peixeira que é um dos organizadores dos actuais almoços da CCS e 1ªCCAÇ.

Que estariam aqui a combinar?...

Desvendado o mistério: aprender a tocar corneta...

... pelos visto o resultado agradou.